O projeto
CORPO COMESTÍVEL explora os arquétipos do corpo feminino na
Arte. Suas brechas, dobras, reentrâncias e saliências naturais,
agora preenchidas com chocolate, são tratadas como fragmentos, não
imediatamente reconhecíveis. A compreensão deste corpo fracionado
está novamente vinculada à apreensão de um corpo auto-referente,
à aceitação de suas transformações, do
seu amadurecimento, à reflexão sobre as mudanças que
o tempo imprime nessa matéria-prima e que marcam seus momentos de transição
e o reconhecimento de suas potencialidades e limites em relação
ao espaço e ao outro. Corpos se moldam, se transformam, se quebram,
se comem. É a Arte que alimenta contraposta à Arte que se consome.
Objetivos
Pensar as questões referentes aos efeitos do tempo sobre o corpo, à
memória corporal, tradutora das vivências que acometem o suporte
sensível;
Estimular a reflexão sobre as relações entre Arte e consumo
na contemporaneidade, constituindo-se o trabalho/performance num exercício
de degustação crítica;
Estimular a reflexão sobre ARTE COMESTÍVEL, ARTE IMATERIAL no
panorama da arte atual;
Recuperar a imagem do feminino num momento histórico em que as distinções
entre os gêneros se esbatem, em que se cultua um corpo-prótese,
quase andrógino, serializado;
Subtrair o corpo à erosão do tempo paralisado nos negativos
de gesso e silicone e expor sua efemeridade no convite à devoração
dos fragmentos corporais e escultóricos(feitos em chocolate);
Oferecer o corpo-mãe, para que dele se apossem e se alimentem, numa
tentativa de se preservar a função e a simbologia inerentes
a essa matriz;
Ações
Após um determinado tempo de observação, os espectadores
são convidados a degustarem os doces partes do corpo, efetivando-se
a performance pelo ato de comer. Ao contrário de uma
abertura de exposição convencional, os espectadores se relacionam
integralmente com o trabalho
exposto, escolhendo, pegando, apalpando, partindo, mordendo e comendo a obra,
já que ela é o
próprio coquetel.
O convite à participação será feito por três
personagens, vestidas de branco, vermelho e preto, representadas pela própria
artista.
Cada cor representa uma persona do (S) ser feminino. Branco, a cor do novo,
do puro, do imaculado. É a alma livre do corpo, o espírito desembaraçado
do físico. É, também, a cor dos mortos, despojados do
tom róseo, do rubor da vitalidade. Vermelho, a cor do sacrifício,
da fúria, do matar e ser morto. Simboliza, em contraposição,
a emoção, o excitamento, a vida que pulsa, o desejo, Eros. Negro,
a cor da lama, da fertilidade e, também, da ausência de luz,
da morte.
Ser efêmero é a condição essencial desse trabalho
que findará quando os doces se acabarem. Na saída,
as pessoas receberão lembrancinhas do evento, embalados
e com uma etiqueta com a marca CORPO COMESTÍVEL.

apresentação SESC Ribeirão Preto, SP
apresentação SENAC Santo Amaro/SP
lembracinhas do evento
