Arte comestível/ Arte imaterial
Um outro aspecto que gostaria de salientar, a questão da imaterialidade
na arte. Corpo comestível tem que ser consumido, e o meu desejo
é que ele não seja conservado como um objeto de chocolate.
Ele dever ser comido. O objeto mais o ato de comer
são unos, inseparáveis.
Não posso nesse momento, deixar de pensar com o olhar da museóloga,
e em como e o que conservar dessa arte, já que ela se
torna imaterial, quando se desfaz na boca das pessoas, estimulando outros
sentidos, além do visual e táctil. Podemos pensar que a passagem
do objeto material para o imaterial se dá no momento em que são
dissolvidos na boca, e entram no organismo das pessoas fazendo parte de sua
digestão. Muitas perguntas e duvidas me vêm à mente; depois
do fato consumado, o gosto de chocolate que fica na boca, a sensação
das mãos meladas, o fim de festa, o vazio criado depois do prazer,
a consciência do finito. O que fica de uma obra que se torna ou é
imaterial? Não é com certeza só registro do evento, importante,
mas não suficiente para se preservar a obra, é para
além - o impalpável. É o conceito, a idéia? É
a
possibilidade de se refazer e recriar o momento uma outra vez? E como um museu
conserva esta obra imaterial? Precisaríamos de um seminário
só para estas questões.

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